terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Delírios de quem demais sente


Lugo, Rio Minho        

Na deriva daquele que demais sente, a fuga de mim própria surge como o Santo Graal da ténue sanidade. Procuro afastar-me dos demónios que se riem aos meus ouvidos, pensando para mim mesma que aquilo que sinto não tem qualquer razão fundamentada. E, na verdade, não tem. Porém, descubro rapidamente que a lógica não existe no sistema límbico. O meu lado crítico despreza a angústia que me apoquenta, num soslaio de resignação rejeitada. Porém, o meu outro lado, o verso da moeda, aquilo que sobressai no coração, leva-me a morder o interior da boca até sangrar e cresce na pele dos braços um prurido que me enfastia. Oh céus, que exagero, que disparate! Onde é que está a realidade?! O que separa a loucura de uma alma em pura histeria sentimental?
Subitamente, abate-se sobre mim um sono que me quer aconchegar nas almofadas, por baixo dos cobertores que me protegem da noite fria e dos fantasmas que espreitam pela porta do quarto. As palavras têm este efeito em mim. Daquilo que sinto sai um texto, daquilo que escrevo sai um novo sentimento. O alívio de quem sou, a fuga da minha própria mente, o arrancar do coração e o manchar da página em branco com palavras desenhadas em sangue vivo. O adeus das estrelas, o fechar dos olhos, o ressonar do gato. A madrugada desperta, os galos cantam, o despertador toca. E assim de repente, surgem mais emoções. E assim de repente, passaram-se mais 24 horas. E assim de repente, nasce um novo dia.

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