sábado, 31 de outubro de 2015

Esperança na incerteza




               Sinto o peso da incerteza sobre os ombros. Aquilo que tem sido, nunca mais será. A vida, o dia a dia, a rotina estão prestes a mudar. Para sempre… Como reagirei a esta nova etapa? Quanto tempo irá demorar a minha adaptação a este mundo novo? Por vezes, a insegurança leva-me a quase perder a esperança em mim própria. Sinto os músculos paralisados pelo medo. Como serei, depois de me levantar do sofá? Porém, a onda de pânico acaba por me abandonar quase tão depressa como chegou. A motivação vem a seguir, recheando o meu coração de emoções boas e calorosas. Os formigueiros dolorosos, que se espalham desde o umbigo até à garganta, permanecem. No entanto, já não são suficientemente fortes para me amarrar. Ao contrário do que se passou durante toda a minha existência, deixei de ter objetivos a longo prazo. O futuro tem demasiadas estradas, cruzamentos, rios e montanhas encobertos de nevoeiro que me impedem de vislumbrar o meu destino. O que quero estar a fazer daqui a 5 anos? Onde quero estar daqui a 10 anos? A resposta a estas perguntas surge com um enorme “não sei” de letras a brilhar. Apesar de toda esta incerteza que se instalou, não me sinto perdida. O mundo tem demasiadas hipóteses, muitos caminhos por onde seguir. Sinto que tenho um futuro risonho algures à minha espera. Não sei onde é que ele se encontra, nem como chegar até ele, qual mapa do tesouro sem uma cruz vermelha. Mas a esperança de que está, algures, à minha espera, leva-me a sentir uma motivação forte que guia o meu coração frágil. Talvez estes caminhos encobertos não me assustem porque sei que tenho uma lanterna no bolso e uma rede por baixo dos pés. Sinto que, mais do que pensar ou temer, tenho que, simplesmente, caminhar. Avançar mundo fora, até me encontrar de novo. Talvez seja esse o talento cravado num coração jovem e inexperiente: a certeza de que a incerteza é apenas um obstáculo e não uma condição eterna. Seja o que for, é o que me faz extinguir a paralisia muscular, elevar o traseiro do sofá, abrir a porta e andar, de coração ao alto, pelo nevoeiro que se vai levantando a pouco e pouco, mostrando o troço da estrada longa que devo seguir, sem medo e sempre envolta em pura felicidade.

2 comentários:

  1. Mostrando o troço da estrada longa que devo seguir, sem medo ! Resumes tudo.O resto...O tempo é um bom Mestre.

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    1. É verdade. O importante é ter o "coração ao alto". Pode ser difícil, mas é a única hipótese. Obrigada pelo comentário :)

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