domingo, 15 de fevereiro de 2015

O que é o amor?




O que é o amor? Dei por mim a perguntar. Dei por mim a pensar. Dei por mim a não chegar a lado nenhum. Amor é… Amor é… Amor é um sentimento. É? Sim é. Mas, é só isso? Então o que é mais? É tudo? É o que se torna em nada quando não existe? É a única coisa que todos nós temos verdadeiramente em comum? Então, o amor é uma coisa? Uma coisa abstrata? Ou uma coisa concreta que não se vê, apenas se sente e se sabe que existe? Amor é alegria, sofrimento, generosidade, egoísmo romântico, é esperança, é o que nos pode destruir por dentro. Mas alegria já é um sentimento. Generosidade é uma maneira de ser e agir. Egoísmo é uma forma extrema de querer. E esperança é uma maneira de viver o presente através do futuro. Se amor pode ser tudo isto, então posso dizer que é apenas um sentimento? Apenas uma maneira de ser e de agir? Apenas uma coisa abstrata? Com tantas perguntas sem resposta óbvia, apenas posso concluir que não consigo definir amor. Mas, como é possível? Convivemos com ele diariamente. É parte de quem somos. É o que nos faz respirar, viver, andar. Faz parte do nosso instinto. Faz parte do nosso instinto… Talvez seja isso. Amor não é só abstrato nem meramente algo concreto. Amar, é de tal maneira intrínseco nos nossos pensamentos e ações, que consegue ser ambos ao mesmo tempo. Se fecharmos os olhos e pensarmos na palavra “amor”, dezenas, centenas, talvez até milhares de imagens, sensações, memórias, afloram a mente. E cada uma dessas imagens, sensações e memórias variam imenso de pessoa para pessoa. Ao pensarmos em tudo isso, sabemos apontar e dizer: isso é amor. Ou seja, consigo identificá-lo, mas não consigo defini-lo. Será possível? Ser capaz de apontar algo sem saber o que é? Tal como uma criança que lhe perguntam onde estão as nuvens, e ela estica o seu dedo pequenino e aponta para uma coisa branca no céu, mas não sabe ao certo o que é uma nuvem? Será que o amor é uma ideia que nasce connosco e que, instintivamente, sabemo-la sem ser necessário alguém explicar-nos o que é? Será a ideia de perfeição daquilo que vivemos e, por isso, sentimo-nos impelidos a procurá-lo incessantemente? Ou poderá ser, simplesmente, um mecanismo de sobrevivência sofisticado, refinado pela evolução?
Até os animais amam. Mais primitivo do que isso é impossível. No entanto, é tão complexo que não consigo explicá-lo. Seja o que for, é extremamente forte. É forte ao ponto de alterar a nossa vida de um momento para o outro. É forte ao ponto de escolhermos deixar de viver por ele ou porque já não o temos. É forte ao ponto de movimentar populações. Quer queiramos quer não, a nossa vida é manipulada por ele. Seguimos as nossas carreiras por ele. Escolhemos os nossos verdadeiros amigos e companheiros por ele. Vivemos por ele. Matamos por ele. Nascemos por ele e desejamos morrer numa cama feita por ele.  
Apesar de tudo isto posto em consideração, olhando para dentro de mim, não posso negar que o amor é um sentimento. E parece que é a partir desse sentimento que vem tudo o resto. Da nossa capacidade de amar, vem aquilo que somos, aquilo que queremos ser, o nosso círculo de amigos, os nossos sacrifícios (seja para com a família ou para com os nossos ideais), as nossas alegrias, a felicidade, os desgostos, o sofrimento, a tristeza, o ódio, a frustração, a esperança. No fundo, poderá o amor ser a matriarca sentimental de todos os outros sentimentos? Nascerá tudo dele? A sua presença leva à existência de determinadas emoções, e o seu esquecimento despoleta outras no nosso subconsciente. Será mesmo assim tão simples? Poderemos dividir tudo na nossa vida em duas grandes categorias: aquilo que amamos e aquilo que não amamos? Seja o que for, parece-me ser algo essencial em qualquer lado, seja em casa no nosso quotidiano, seja nos gabinetes dos presidentes dos vários países. Grandes líderes sentem-no para com os seus súbditos e utilizam-no para que as pessoas os sigam com a mais boa das vontades. Mais forte do que o ódio ou o medo, o amor leva-nos a obedecer os nossos superiores, felizes, por vezes sem levantar uma única pergunta. Penso que, desde as pequenas empresas até à gestão de continentes, o amor é a chave para a harmonia entre a população e os seus chefes. Honestamente, não é muito mais fácil acatar ordens de pessoas que admiramos e gostamos, do que daquelas que odiamos, desrespeitamos e tememos? Até os cães, numa família, encaram o humano alfa com imenso respeito, acatam todas as suas ordens e castigos e, ao final do dia, é sempre esse o seu dono favorito. Mas agora divago.
Voltando então à questão inicial: O que é o amor? O amor é a mãe de todas as outras emoções, é o que nos permite sobreviver, tanto em sociedade como na selva, é o que nos leva a agir das variadíssimas formas possíveis, é o que nos possibilita achar felicidade neste mundo cão, é o que nos permite ter esperança, é o que somos… bem, mais que não seja, é o que me impele a ver uma folha em branco e a escrever sobre ele.

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